sexta-feira, 31 de outubro de 2008

HAJA O QUE HOUVER, EU ESTAREI SEMPRE COM VOCÊ

Na Romênia, um homem dizia sempre ao seu filho:
“Haja o que houver, eu sempre estarei a seu lado.”
Houve, nesta época um terremoto de intensidade muito grande, que quase arrasou as construções lá existentes nessa época.
Estava nesta hora este homem em uma estrada. Ao ver o ocorrido, correu para casa e verificou que sua esposa estava bem, mas seu filho nesta hora estava na escola.
Foi imediatamente para lá. E a encontrou totalmente destruída. Não restou, uma única parede de pé...
Tomado de uma enorme tristeza, ficou ali ouvindo a voz de seu filho e sua promessa (não cumprida) “Haja o que houver eu estarei sempre a seu lado.”
Seu coração estava apertado e sua vida apenas enxergava a destruição. A voz de seu filho e sua promessa não cumprida, o dilaceravam. Mentalmente percorreu inúmeras vezes o trajeto que fazia diariamente segurando sua mãozinha.
O portão não mais existia; corredor... Olhava as paredes, aquele rostinho confiante; Passava pela sala do 3º ano, virava o corredor e o olhava ao entrar. Até que resolveu fazer em cima dos escombros o mesmo trajeto. Portão... Corredor... Virou à direita... e parou em frente ao que deveria ser a porta da sala. Nada! Apenas uma pilha de material destruído. Nem ao menos um pedaço de alguma coisa que lembrasse a classe. Olhava tudo desolado... E continuava a ouvir a Promessa: “Haja o que houver, eu sempre estarei com você.” E ele estava...
Começou a cavar com as mãos. Nisto chegaram outros pais, que embora bem intencionados, e também desolados, tentavam afasta-lo de lá dizendo: - Vá para casa. Não adianta, não sobrou ninguém. – Vá para casa.
Ao que ele retrucava: Você vai me ajudar?
Mas ninguém o ajudava, e pouco a pouco, todos se afastavam. Chegaram os policiais, que também tentaram retira-lo dali, pois viam que não havia chance de ter sobrado ninguém com vida. Havia outros locais com mais esperança.
Mas esse homem não esquecia sua promessa ao filho, a única coisa que dizia para as pessoas que tentavam retira-lo de lá era: Você vai me ajudar?
Mas eles também o abandonavam. Chegaram os bombeiros, e foi a mesma coisa...
– Saia daí, não está vendo que não pode ter sobrado ninguém vivo? Você ainda vai por em risco a vida de pessoas que queiram te ajudar pois continua havendo explosões e incêndios.
Ele retrucava: – Você vai me ajudar?
– Você está cego pela dor e não enxerga mais nada. Ou então é raiva da desgraça.
Você vai me ajudar?
Um a um todos se afastavam...
Ele trabalhou quase sem descanso, apenas com pequenos intervalos, mas não se afastava dali: 5h; 10h; 12h; 22h; 24h; 30h.
Já exausto, dizia a si mesmo que precisava saber se seu filho estava vivo ou morto.
Até que ao afastar uma enorme pedra, sempre chamando pelo filho, ouviu:
– Pai... estou aqui!
Feliz fazia mais força para abrir um vão maior e perguntou:
– Você está bem?
Estou. Mas com sede, fome e muito medo.
– Tem mais alguém com você?
Sim, dos 36 da classe, 14 estão comigo. Estamos presos em um vão entre dois pilares. Estamos bem.
Apenas conseguia se ouvir gritos de alegria.
– Pai, eu falei a eles... Vocês podem ficar sossegados, pois meu pai irá nos achar.
Eles não acreditavam, mas eu dizia a toda hora: Haja o que houver, meu pai estará sempre a meu lado!
Vamos abaixe-se e tente sai por este buraco.
Não! Deixe eles saírem primeiro... Eu sei que haja o que houver... Você estará me esperando!

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